segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CLBI: 200º rastreio de lançamentos da ESA

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Centro de lançamento da FAB realiza 200º rastreio com Agência Espacial Européia

30/12/2013 14:22h

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Parnamirim (RN), alcançou marca histórica ao realizar na quinta-feira (19/12) o rastreio de número 200 da parceria com Agência Espacial Europeia (ESA). Na ocasião, o veículo rastreado foi o lançador Soyuz, famoso por representar a conquista do espaço.

“A participação do CLBI na operação consistiu em fazer o rastreamento do lançador em sua visibilidade radioelétrica. Desse modo, a instituição continua indispensável para a realização dos sonhos da ESA e do mundo”, explica a Engenheira Maria Goretti Dantas, Chefe da Seção de Interface entre o CLBI e o Centro Espacial Guianês (CSG).

Desde 1977, quando começou a cooperação internacional, os veículos rastreados pelo centro brasileiro levaram quase 350 satélites ao espaço. Os lançamentos da Agência Espacial Européia são efetuados no CSG, localizado em Kourou, na Guiana Francesa. No processo de lançamento dos seus foguetes, a ESA conta com uma rede internacional de rastreio em telemedidas, que coleta e envia dados sobre os voos para o centro europeu. Entre eles está o CLBI, único colaborador cuja estação não é operada por técnicos da Europa ou de países membros da ESA.

Apesar do rastreio de número duzentos ter sido realizado com o veículo Soyuz, foi com a família de lançadores de satélites Ariane que a parceria se consolidou ao longo do tempo. A importância do trabalho conjunto das duas instituições é refletida nos números: somente do Ariane foram 198 rastreios realizados pela estação do Brasil. Em 2013, oito operações de rastreamento, das quais duas foram de qualificação, três do Ariane e duas do Soyuz, foram concluídas em solo brasileiro. “Poucos centros do porte do CLBI conseguem ter essa cadência de operações”, conta Goretti.

Sobre o Soyuz - O veículo Soyuz lançou, em 1957, o primeiro satélite, o Sputnik, e em 1961 enviou o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin. A versão modernizada do Soyouz, utilizada atualmente pelo CSG, é adaptada à missões habitadas ou não, e supre a demanda do mercado de satélites de telecomunicações e as missões científicas. O Soyouz tem aproximadamente 46 metros, pesa 308 toneladas e é movido a oxigênio líquido e querosene.

Fonte: Comando da Aeronáutica.
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Ensaio de propulsor líquido do IAE

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IAE realiza primeiro ensaio com estágio de propulsão líquida

30/12/2013 16:37h

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) realizou o primeiro ensaio a quente do modelo de voo do Estágio de Propulsão Líquida (EPL). O acionamento do motor movido a oxigênio líquido e etanol foi realizado na quinta-feira (19/12) no banco de ensaios em São José dos Campos (SP).

Este é um passo importante rumo a consolidação do uso da tecnologia de propulsão líquida, como é chamado o combustível usado para impulsionar os veículos espaciais. Até então, o país usa apenas a propulsão sólida

O teste do Motor L5, com 5 kN de empuxo, integrado ao Sistema de Alimentação do Motor Foguete (SAMF), permitiu a verificação funcional de todos os sistemas do estágio.  Ambos foram monitorados e controlados por meio da eletrônica que será embarcada no veículo VS-30.

O ensaio também treinou as equipes do IAE e da empresa Orbital para a Operação Raposa, prevista para o primeiro semestre de 2014, quando Estágio de Propulsão Líquida será testado em voo. Foram simuladas as condições de integração, carregamento de oxigênio líquido e seqüenciamento de eventos de voo. Também foram testados os sistemas de Ignição com pirotécnico de iniciação (IAE) e de Suprimento de Energia, Comando e Atuação (Orbital).

Nos últimos meses todos os sistemas e modelos de voo foram testados com êxito, como o banco de controle, a qualificação do ignitor pirotécnico, testes elétricos e estruturais, entre outros.

Apoio – O Sistema de Alimentação do Motor Foguete (SAMF) foi desenvolvido pela empresa Orbital em parceria com o IAE, tendo o apoio financeiro da FINEP. O Motor L5 foi concebido e projetado pelo IAE com recursos da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Fonte: Comando da Aeronáutica.
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sábado, 28 de dezembro de 2013

Resultado final do Inova Aerodefesa

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DIVULGADO RESULTADO FINAL DO EDITAL INOVA AERODEFESA

Brasília 27 de Dezembro de 2013. A Financiado de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), divulgou o resultado final do edital Inova Aerodefesa. Ao todo, foram aprovados 91 planos de 64 empresas líderes que somam R$ 8,68 bilhões frente aos R$ 2,9 bilhões disponíveis.

A chamada selecionou planos de negócio de empresas nacionais que contemplaram projetos de inovação em quatro linhas temáticas: aeroespacial; defesa; segurança e materiais especiais. A intenção é incentivar o adensamento de toda a cadeia produtiva destes setores, considerados estratégicos dentro do Plano Inova Empresa.

A próxima etapa é a de estruturação do plano de suporte conjunto. As empresas líderes receberão por e-mail maiores informações sobre esta fase.

A demanda do Inova Aerodefesa, proveniente dos planos de negócio recebidos, atingiu R$ 10 bilhões – valor 3,4 vezes maior do que os recursos disponíveis no edital. Ao todo, foram 98 planos e 70 empresas líderes (cada líder poderia mandar até quatro propostas).

O programa é conduzido pelo departamento das Indústrias Aeroespacial, Defesa e Segurança, lotado na Superintendência Regional de São Paulo. Contatos com relação a este programa devem ser direcionados para o e-mail: cp_inova_aerodefesa@finep.gov.br.

Fonte: FINEP
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Cooperação Brasil - Rússia: Glonass

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Segundo uma reportagem do jornal Izvestia, citada em artigo da agência russa RIA Novosti, o governo da Rússia analisa opções para estreitar a cooperação com países como o Brasil, Índia e Cazaquistão envolvendo o sistema de navegação por satélite Glonass, similar ao norte-americano GPS (Global Positioning System).

As opções em análise envolveriam a criação de um provedor global de serviços, sem acesso à tecnologia, ou mesmo um consórcio internacional no qual a Rússia transferiria aos parceiros a constelação de satélites e os direitos sobre sua tecnologia e aplicações.

Tal estratégia estaria fundamentada na dificuldade que a agência espacial russa (Roscosmos) e empresas que fornecem serviços e aplicações baseadas no Glonass têm enfrentado para ampliar o número de usuários do sistema, que compete com o GPS norte-americano e, em breve, passará a competir com o sistema europeu Galileo e o chinês Beidou.

A matéria menciona ainda que Roscosmos apresentará uma proposta ao seu governo até fevereiro de 2014.

Já há vários anos, o governo russo tem promovido o Glonass na América Latina, em especial no Brasil. Em abril de 2010, foi realizado em São Paulo (SP) um encontro empresarial para a aproximação de indústrias dos dois países interessadas em parcerias para a produção de equipamentos de recepção, além de serviços e aplicações. Recentemente, foram instaladas estações de referência na Universidade de Brasília (UnB).

Colaborou José Ildefonso.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CBERS 4: lançamento em dezembro de 2014

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Brasil propõe à China lançar o Cbers-4 em dezembro de 2014

Brasília 23 de Dezembro 2013. O Brasil propõe à China esta semana, que o Cbers-4, quinto satélite do programa de sensoriamento remoto que os dois países desenvolvem em conjunto desde 1988, seja lançado em dezembro de 2014, da base de Taiyuan, na China.

A proposta foi elaborada em reunião na quinta-feira (19) no Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), entre o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, do diretor geral do Inpe, Leonel Perondi, do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, por vídeo conferência, e técnicos ligados ao programa Cbers-4.

A AEB e o Inpe concordam que o prazo é bastante exíguo, que o risco é desafiador, mas entendem que as equipes técnicas das duas instituições estão capacitadas a concluir o cronograma nesse prazo.

Contribui para este esforço o fato de que a maior parte dos equipamentos do Cbers-4 já se encontrar na China, onde, neste caso, ocorrerá a fase de montagem, integração e testes do satélite. O cronograma prevê que técnicos brasileiros viajem à China no início do próximo ano para participar da instalação e teste de sistemas elétricos, uma das primeiras etapas a serem concluídas.

Fonte: AEB
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Missão SABIA-Mar avança

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Brasil e Argentina concluem Fase A do projeto Sabia-Mar

Brasília 20 de Dezembro de 2013. O Comitê Internacional de Avaliação da Missão Sabia-Mar (Satélite Argentino-Brasileiro de Informações Ambientais), formado por representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Comissão Nacional de Atividades Espaciais da Argertina (Conae), e de entidades internacionais ligadas a atividades espaciais, reuniu-se no início do mês, em Buenos Aires, na Argentina, para a revisão final da Fase A do projeto binacional.

Esta fase, que engloba todo o planejamento da missão, a relevância dos dados científicos a serem recolhidos, a factibilidade dos equipamentos que serão usados e a operacionalidade da missão, foi aprovada na totalidade. Com esta medida, dá-se um passo importante para a continuidade da missão, que prevê o lançamento do Sabia-Mar 1em 2018.

Durante a Fase A foram realizados diversos encontros técnicos no Brasil e na Argentina, sendo dois deles com a participação de potenciais usuários dos dados produzidos pelo Sabia-Mar e de representantes de indústrias ligadas ao setor aeroespaciais.

A Fase B, que inclui o Projeto Preliminar do Satélite, deve começar em janeiro próximo, com programação para estar concluída em dez meses. Em seguida, inicia-se a Fase C, que trata da incorporação dos equipamentos no satélite, dos teste dos diversos sistemas e do lançamento.

Comitê – O Comitê de Avaliação Internacional é composto pelo diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, Fernando Hisas, Ana Hernádez, Laura Frulla, Jorge Milovic, todos do Conae; Evlyn Novo, do Inpe, Gene Feldman, Amit Sem, ambos da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), Roberto Fernandez Borda, da UMBC, e Maycira Costa, da Universidade de Victoria, do Canadá.

O presidente da AEB, José Raimundo Coelho, que estava na China acompanhando o lançamento do Cbers-3, foi representado na reunião pelo diretor da área de satélites, Carlos Alberto Gurgel. Pelo Inpe, o processo de avaliação também foi acompanhado pelo engenheiro Marco Chamon.

A missão Sabia-Mar, a ser desenvolvida com dois satélites com vida útil de cinco anos cada um, objetiva a observação dos oceanos, da zona costeira e de águas interiores (lagos, represas, rios) da América do Sul. Como aplicações principais têm-se o estudo do ciclo de carbono, da biosfera marinha, da identificação de zonas potenciais de pesca, e para o controle de eventos como vazamento de petróleo, entre outras.

Fonte: AEB
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Bolívia: Tupac Katari em órbita

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Na madrugada do último sábado (21), foi lançado com sucesso a partir do centro espacial de Xichan, no sudoeste da China, a bordo de um lançador Longa Marcha 3B, o Tupac Katari, o primeiro satélite de comunicações da Bolívia.

A operação de lançamento contou com a presença do presidente boliviano Evo Morales, tendo sido a primeira vez que um chefe de Estado estrangeiro acompanha uma operação do tipo na China.

"O satélite cumprirá com uma importante função para a Bolíia aprimorar seus serviços de transmissão de dados, educação e medicina. Fará importantes contribuições para promover a cooperação entre a China e países latino americanos", afirmou em nota Xi Jinping, president da China.

O Tupac Katari, também denominado TKSat-1, foi construído pela China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) com base num acordo avaliado em cerca de 300 milhões de dólares assinado em dezembro de 2010. Trata-se do quinto satélite de comunicações fornecido pela China para o mercado internacional, sendo o segundo para a América do Sul (em 2008, o Venesat-1, da Venezuela, foi lançado ao espaço).

Contando com 30 transpônderes em banda C, Ku e Ka e posicionado na órbita geoestacionária 87.2ºW, a expectativa é que o satélite entre em pleno funcionamento em março de 2014 e tenha uma vida útil de quinze anos.

De acordo com informações creditadas a Ivan Zabrana, presidente da agência espacial boliviana, a China é uma forte candidata a fornecer um satélite de observação para o país. "Nós queremos lançar um satélite de sensoriamento remoto em 2017 e a China é uma de nossas melhores alternativas", afirmou.
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sábado, 21 de dezembro de 2013

"Por que a renúncia recíproca de responsabilidades?", artigo de José Monserrat Filho

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Por que a renúncia recíproca de responsabilidade?

José Monserrat Filho*

O princípio jurídico da renúncia recíproca de responsabilidade surgiu e foi amplamente adotado nos EUA com o nome de "Cross-waiver of responsibility and liability". O termo "responsabilidade" na prática legal americana tem dois conceitos: o de "responsibility" como "responsabilidade de Estado" e de "liability" como responsabilidade civil.

Isso significa que o princípio da renúncia recíproca de responsabilidade pode ser utilizado tanto nas relações entre Estados e governos, como nas relações civis e comerciais entre pessoas físicas e jurídicas, sempre que impere, em ambos os casos, uma aliança de interesses fortemente entrelaçados.

Hoje, esse princípio está também incorporado à legislação espacial francesa, sendo, igualmente, admitido e aplicado por muitos países e corporações que conduzem importantes programas espaciais.

No momento em que o Brasil se empenha em fortalecer a cooperação com antigos e novos parceiros e internacionalizar suas atividades espaciais, com base no interesse mútuo e no desenvolvimento conjunto de tecnologias, é preciso que o princípio em questão seja melhor conhecido.

A ideia de renúncia recíproca de responsabilidade nasceu e ganhou projeção por um motivo lógico e natural: os projetos de atividades espaciais são, em geral, extremamente dispendiosos e de altíssimo risco. Justamente por isso, os prêmios dos seguros do setor costumam ser tão caros.

Um caso emblemático de renúncia de responsabilidade está na estrutura jurídica múltipla que regula a Estação Espacial Internacional, liderado pelo acordo intergovernamental que une 14 países e uma organização internacional (Canadá, Estados Unidos, Japão, Rússia, Agência Espacial Europeia (ESA) e onze de seus países membros - Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça). Essa estrutura tem como ápice o Acordo Intergovernamental (IGA) assinado, em 28 de janeiro de 1998, pelos 14 países e pela ESA.

O Art. 1º do Acordo define seu objetivo principal: "Este é um acordo-quadro internacional de caráter cooperativo e de longo prazo, baseado em parceria genuína, para elaborar o projeto detalhado e promover o desenvolvimento, o funcionamento (operação) e a utilização de uma estação espacial civil, habitada permanentemente, com propósitos pacíficos, em conformidade com o direito internacional."

Após o acordo-quadro, vem uma segunda linha de acordos chamados de "Memorandos de Entendimento" (MoU), firmados entre as partes, nos quais se descrevem, com mais detalhes, as funções e responsabilidades de cada parte.

A terceira linha de documentos reúne os contratos ou acordos concluídos que estabelecem os direitos e os deveres das partes, inclusive o acordo-quadro comercial assinado, em 2005, entre as agências espaciais dos EUA e da Rússia, NASA e a ROSCOSMOS, que estipula os termos e condições, com base nos quais a NASA adquire lugares para seus tripulantes no foguete Soyuz, bem como o espaço necessário para o transporte de carga pelo lançador Progresso, não tripulado.

E a quarta linha inclui os acordos de regulamentação que executam e completam os MoUs acima referidos. Entre eles, está o Código de Conduta da Estação Espacial, de 1998, que define a jurisdição penal, a norma que proíbe o assédio pessoal, e outras regras de conduta que ordenam o comportamento dos tripulantes da Estação, independentemente de seus países de origem.

Há de se convir que o perfeito entrosamento desse complexo sistema de acordos, contratos e regulamentações é absolutamente fundamental para garantir o funcionamento, a segurança e os resultados esperados do gigantesco projeto.

Agora imagine o que poderia ocorrer se cada parte desse emaranhado tivesse o direito de acionar qualquer das outras partes, em função de algum sinistro, contrariedade ou suspeita, em busca de indenização por supostos danos materiais ou morais sofridos?

O próprio projeto poderia entrar em colapso, não importando sua relevância efetiva e o montante de recursos já investidos. Daí a racionalidade e a necessidade da cláusula de renúncia recíproca de responsabilidade, assegurando que nenhuma de suas partes abrirá processo por responsabilidade contra qualquer uma das demais partes. A razão central é não prejudicar, não paralisar, não atrasar, não encarecer, não inviabilizar, nem impedir o desenvolvimento do projeto como um todo.

O cruzamento de processos por responsabilidade entre as muitas partes de um empreendimento espacial pode ser fatal para seu andamento, seus resultados e seu próprio futuro.

Partes e participantes, no caso, são as pessoas jurídicas estatais ou privadas e pessoas físicas engajadas, direta ou indiretamente num projeto de atividade espacial: podem ser ministérios, agências, autarquias, organizações governamentais ou não governamentais, empresas estatais ou privadas, contratadas ou subcontratadas, além de especialistas e profissionais de qualquer tipo.

Em havendo um sinistro, grande ou pequeno - segundo a regra da renúncia recíproca de responsabilidade -, cada parte se compromete a cobrir seus próprios prejuízos, mantendo a firme disposição de não afetar o conjunto do projeto, considerado de interesse mais geral. Pela regra, as partes reconhecem claramente que projetos espaciais são inerentemente de risco, sejam quais forem os cuidados e precauções adotados na preparação dos projetos e na operação de seus sistemas espaciais.

Não por acaso, a renúncia recíproca de responsabilidade tornou-se "um princípio comum incorporado aos acordos da indústria espacial, por meio do qual as partes concordam em estabelecer a renúncia recíproca de responsabilidade entre os contratantes (clientes), os contratados e subcontratados, e o provedor do lançamento", como salientam os juristas alemães Lesley Jane Smith e Ingo Bumann, editores do livro "Contracting for Space", de 428 páginas, obra indispensável no setor, baseado na longa e rica experiência da prática contratual acumulada pela comunidade espacial europeia.

No capítulo 5 do livro, sobre "Os princípios do direito internacional e sua relevância para os contratos da indústria espacial", Lesley Jane Smith salienta um detalhe muito significativo: "Uma possível questão aberta refere-se à pergunta sobre o que poderia acontecer em caso de ausência de uma legislação de apoio aos acordos de renúncia de responsabilidade. O cenário mais provável é que os parceiros de um contrato incluiriam tais acordos em seus contratos sobre atividades espaciais, sem a garantia de que a cláusula não pudesse ser invalidada em um litígio judicial."

O leitor mais atendo poderia indagar se há exceções ao princípio da renúncia recíproca de responsabilidade. Há, sim. Mas são reconhecidamente limitadas a circunstâncias muito especiais, em casos, por exemplo, de evidente e absoluta má fé ou dolo. Não chegam a pôr em xeque o princípio em si, que hoje - pode-se dizer - parece definitivamente consolidado, sobretudo na área espacial.

José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB, vice-presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial, e diretor honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, membro pleno da Academia Internacional de Astronáutica

 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mensagem de Final de Ano

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Aos nossos leitores, amigos e colaboradores, fazemos votos de um Feliz Natal e excelente 2014!

Aproveitamos para agradecer a todos pelo interesse, participação e reconhecimento. Ao longo dos quase seis anos de existência do Panorama Espacial, o ritmo de postagens oscilou ano a ano. Sempre que possível (e a tarefa não é fácil), ao invés de meramente reproduzirmos notícias e notas oficiais, buscamos publicar conteúdo próprio, com entrevistas, análises e informações colhidas nos bastidores, agregando valor.

Seguiremos no mesmo caminho em 2014, buscando trazer conteúdo com informações de qualidade, confiáveis e exclusivas. Já são muitas as ideias para o ano que vem!

André M. Mileski
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Anatel: licitação de posições orbitais

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Anatel vai licitar quatro espaços para lançamento de satélites

19/12/2013 - 17h28

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai leiloar espaços para lançamento de satélites que serão usados em serviços de telecomunicações e banda larga. O edital foi aprovado hoje (19), em reunião do Conselho Diretor da agência.

Serão oferecidas quatro posições orbitais para lançamento de satélites geoestacionários, com prazo de exploração de 15 anos, prorrogável por igual período. Cada empresa poderá arrematar até dois direitos de licitação. O preço mínimo de exploração ainda será definido por uma comissão de licitação e terá de ser aprovado pelo conselho antes da publicação do edital.

Segundo o conselheiro Marcelo Bechara, relator da proposta, o leilão será fundamental para aumentar a capacidade do Brasil de transportar informações via satélite, especialmente com a proximidade dos grandes eventos, e para a oferta de serviços de banda larga, sobretudo na Região Norte. De acordo com Bechara, algumas empresas já se manifestaram dizendo que têm condições de lançar satélites para funcionamento durante a Copa do Mundo do ano que vem.

Poderão participar da licitação empresas brasileiras e com sede no país ou estrangeiras que comprometam-se a adaptar-se ou a constituir empresa com as características adequadas. O leilão também será aberto para pessoas jurídicas reunidas em consórcio.

O vencedor da licitação deverá pagar 10% da outorga antes da assinatura do termo de direito de exploração, e o restante poderá ser dividido em seis parcelas, com correção pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) mais 1% ao mês.

Fonte: Agência Brasil.
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sobre o resultado do Programa F-X2

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Não iremos nos alongar sobre o resultado do Programa F-X2, conduzido pela Força Aérea Brasileira (FAB), para a seleção de uma nova aeronave de combate, e cujo resultado, após mais de uma década de indefinição, foi anunciado hoje (18). O blog Panorama Espacial tem como enfoque principal as atividades espaciais, muito embora, eventualmente, acabe tratando de temas relacionados, como assuntos de defesa [*]. E não podemos nos furtar a abordar o resultado do F-X2. O escolhido foi o caça Gripen E/F, desenvolvido pelo grupo sueco Saab (veja aqui a nota do Ministério da Defesa).

No âmbito espacial, dos três candidatos (Saab, Boeing e Dassault), a Saab era a que tinha menor exposição no setor espacial; em julho de 2008, o grupo vendeu sua divisão espacial, que desenvolvia e fabricava componentes de satélites e de lançadores (inclusive para o Ariane 5), para a suíça RUAG. No entanto, isto não significa que o resultado do F-X2, de alguma forma e ainda que indiretamente, não vá beneficiar o Programa Espacial Brasileiro. Como parte do contrato, que começará a ser negociado, haverá um grande pacote de transferência tecnológica e compensações industriais, tecnológicas e comerciais (os chamados offsets).

Espaço não deve ser um dos itens de compensação, mas algumas das indústrias nacionais hoje envolvidas com atividades espaciais também têm negócios nos setores aeronáutico e de defesa e podem ser beneficiadas no processo de transferência tecnológica que, acredita-se, será um dos maiores já realizados no País. Dependendo da tecnologia, pode haver alguma aplicação no campo espacial.

Ainda, em termos de política industrial, convém relembrar a recente entrevista de José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, que destacou "a necessidade de que a indústria espacial brasileira busque diversificação com outras atividades para atingir um nível de sustentabilidade". O F-X2, porque não, pode vir a funcionar como um dos itens de diversificação.

Mas, o resultado imediato mais importante do F-X2 é a credibilidade que passa para a comunidade internacional de que o Brasil está levando a sério suas demandas em defesa (e, espera-se, também em espaço!). Num período de menos de uma semana, duas notícias importantes: a assinatura dos contratos do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e, agora, a seleção do Gripen na concorrência da FAB. Sabemos da grande expectativa com o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) e também de outras demandas espaciais, e essas recentes notícias, ao nosso ver, reforçam a credibilidade brasileira frente a atores estrangeiros.

Portanto, a conclusão: acreditamos que, de alguma forma, o F-X2 beneficiará (ou poderá beneficiar) o Programa Espacial Brasileiro.

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*: escrevendo sobre defesa e espaço há mais de dez anos, eu não tive como não me envolver com o F-X2. Inclusive, voei em maio de 2012 a bordo de uma das aeronaves candidatas, no caso, o F-18 F Super Hornet. No início de 2011, também estive na Suécia para conhecer mais sobre a proposta da Saab para a licitação da FAB. A viagem deu origem a um suplemento especial de Tecnologia & Defesa, que pode ser acessado clicando aqui
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Notícias do CBERS 4

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Brasil e China já trabalham na produção do satélite Cbers-4

Brasília 18 de Dezembro de 2013 – Técnicos brasileiros e chineses mantêm contatos permanentes no sentido de analisar as possibilidades que permitam a antecipação de 2015 para 2014 do lançamento do Cbers-4, quinto satélite do programa de sensoriamento remoto, que Brasil e China desenvolvem em conjunto. As conversações começaram logo após a falha com o foguete Longa Marcha 4B, lançado da base de Tayiuan, na China, no último dia 9, o que impediu que o Cbers-3 alcançasse a órbita programada.

O fato de o satélite ter respondido positivamente a todos os comandos, como a abertura dos painéis solares, por exemplo, e ter enviado informações para o centro de controle logo após ser ejetado, ainda que fora da órbita, é apontado pelos técnicos como fator favorável para a produção mais rápida do Cbers-4, porque mostra o perfeito funcionamento dos equipamentos, o que todos os testes realizados antes do lançamento já havia demostrado.

Outro item a colaborar para uma possível antecipação é o fato de que partes do satélite já estão em fase de montagem tanto no Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), como na Agência Espacial Chinesa (Cast, na sigla em inglês).

As causas que levaram à falha no terceiro estágio do foguete lançador estão em análise pelos técnicos chineses. O Cbers-3 foi projetado com quatro câmeras, de diferentes resoluções e capacidade de captação, que seriam responsáveis por coletar imagens com maior qualidade de atividades agrícolas e contribuir com o monitoramento da Amazônia, auxiliando no combate a desmatamentos ilegais e queimadas, foco de projetos ligados ao Prodes e ao Deter.

Fonte: AEB
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Cooperação Brasil - Ucrânia

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Empresa ucraniana promove seminário sobre área espacial em São Paulo

Brasília 18 de Dezembro de 2013 – Termina nesta sexta-feira (20), no Parque Tecnológico, em São José dos Campos (SP), o Seminário sobre Desenvolvimento Industrial Espacial. O evento, que começou na segunda-feira (16), é organizado pela empresa estatal ucraniana Yuzhnoye e tem o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Entre os temas apresentados estão o desenvolvimento de veículos lançadores, complexos de lançamento e satélites. O diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Carlos Gurgel, participou da abertura, representando o presidente da agência, José Raimundo Coelho.

O seminário, com a exposição de especialistas ucranianos e brasileiros, tem a participação de técnicos da AEB, professores e alunos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Instituto Federal do Maranhão (IFMA- Alcântara), do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e de pessoas de várias regiões do país, interessadas pela área espacial. As palestras são em russo com tradução simultânea.

A ucraniana Yuzhnoye planeja instalar um escritório de representação do Parque Tecnológico de São José dos Campos, sendo o seminário uma das primeiras ações no país.

Brasil e Ucrânia mantêm um amplo acordo de cooperação projetos conjuntos no setor aeroespacial e que resultou na formação da binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). O principal produto da empresa é o lançador de satélites Cyclone-4, apresentado em 2003.

Fonte: AEB
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Reportagem sobre o MMM em Tecnologia & Defesa

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Reproduzimos abaixo uma pequena reportagem publicada na edição n.º 134 da revista Tecnologia & Defesa, do final de setembro, sobre o projeto MMM, da AEL Sistemas. Algumas informações estão desatualizadas, mas o texto dá um panorama sobre o projeto, já abordado em várias ocasiões aqui no blog. Recentemente, o MMM foi pré-selecionado para o programa Inova Aerodefesa, conduzido pela FINEP, BNDES, Ministério da Defesa e Agência Espacial Brasileira. A expectativa é que a seleção dos planos de negócios seja divulgada no próximo dia 23.

MMM - O microssatélite militar da AEL Sistemas

André M. Mileski

No início de julho, a reportagem de Tecnologia & Defesa esteve em Porto Alegre (RS), na sede da AEL Sistemas e se encontrou com Marcos Arend, diretor de Tecnologia, para conhecer um pouco mais sobre a proposta de desenvolvimento do Microssatélite Militar Multimissão (MMM), apresentada pela companhia em conjunto com outras empresas e universidades daquele Estado, no âmbito do Programa Inova Aerodefesa (ver reportagem nesta edição). Esta é também uma das primeiras iniciativas do Polo Tecnológico de Sistemas Espaciais do Rio Grande do Sul (ver T&D n.º 133), criado no final de abril, e que conta com importante apoio do governo estadual.

A proposta foi elaborada tendo em vista a chamada do Inova Aerodefesa para plataformas de pequeno porte, levando-se ainda em consideração o crescimento do uso de pequenos satélites para aplicações no setor de defesa, e a possibilidade do desenvolvimento de uma solução que não seja classificada como COTS (commercial off-the-shelf) para atender o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa, e a integração de capacitações espaciais disponíveis no Rio Grande do Sul, tanto de empresas como universidades. Além dos recursos do Inova Aerodefesa, o projeto deve demandar ainda investimentos adicionais das próprias empresas e de linhas de fomento do governo estadual. A proposta foi uma das 69 pré-selecionadas em julho e está no momento em análise.

Caso aprovado, o primeiro passo do MMM envolveria o desenvolvimento de uma pequena plataforma para colocação em órbita em 2015, muito provavelmente no primeiro voo do lançador Cyclone 4, decolando do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Esta primeira missão, denominada MMM-1, teria cerca de 20 kg de massa e contaria com desenvolvimentos da AEL Sistemas em matéria de sistemas de suprimento de energia - hoje uma de suas especialidades no campo espacial, plataforma e sistemas de controle. À Digicon, com sede em Gravataí (RS), caberia o fornecimento da parte estrutural e integração dos painéis solares, além de todo o mecanismo de abertura (deployment) das antenas, representando o seu retorno ao setor espacial, uma vez que nas décadas de 1980/90 participou dos projetos dos SCD (Satélite de Coleta de Dados) e da primeira geração do CBERS (China-Brasil Earth Resources Satellite). A companhia ucraniana Yuzhnoye, com planos de em breve se instalar no Brasil, contribuiria com consultoria e suporte educacional. Note-se que, muito embora a AEL Sistemas seja controlada pelo grupo israelense Elbit Systems, sua capacitação em tecnologia espacial é local, independente da controladora.

Quatro universidades também integram o projeto, algumas aportando tecnologias inéditas no Programa Espacial Brasileiro: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que deve contribuir com sua capacitação em análise de radiação para componentes eletrônicos; a Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), que tem grande conhecimento na área de radiofrequência, comunicações e transpônderes digitais; a Universidade Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), participando com suas habilidades em microeletrônica, em particular, conhecimentos da tecnologia MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems), que seriam aplicados no desenvolvimento de um propulsor elétrico; e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que deve oferecer sua estrutura para a operação no solo. A UNISINOS, aliás, tem colaborado com institutos da Coréia do Sul e da Suíça em pesquisas e projetos da tecnologia MEMS. Espera-se que mais de 50 profissionais sejam envolvidos no desenvolvimento do MMM, incluindo doutores e engenheiros.

Devem participar ainda a Fundação de Ciência e Tecnologia do RS (CIENTEC), por meio da realização de ensaios e testes elétricos e ambientais do satélite, e a empresa pública Ceitec, fornecendo itens de microeletrônica (semicondutores).

O MMM-1 disporia de uma plataforma básica, com controle de atitude passivo, sem controle de órbita, destinada a operar a uma altitude de 700 km. Ainda não há definição sobre qual seria a sua carga útil, e a decisão ficaria sob a responsabilidade do Ministério da Defesa. Mas, dentre as alternativas possíveis, estaria um dispositivo SIGINT (inteligência de sinais), o que permitiria, inclusive, a criação de uma doutrina no emprego dessa capacidade pelas Forças Armadas brasileiras.

Passo seguinte seria dado com um segundo modelo, o MMM-2, com massa total próxima de 30 kg, não classificado como COTS. Este já contaria com controle de atitude, sendo que o próximo, o MMM-3 com propulsão elétrica baseada na tecnologia MEMS, o qual, na visão da AEL Sistemas, já seria um produto capaz de disputar o mercado internacional, podendo render divisas ao País.

A AEL Sistemas no setor espacial

A AEL Sistemas, sinônimo no País em aviônicos e veículos aéreos não tripulados, possui mais de 20 anos de experiência em tecnologia espacial, tendo desenvolvido e produzido diversos equipamentos eletrônicos para satélites brasileiros, em particular, sistemas de suprimento de energia. É o caso, por exemplo, dos satélites do programa CBERS, de observação terrestre. Assim como seus predecessores, o CBERS 3, que deve ser lançado ao espaço até o final deste ano, tem tecnologia criada e fabricada pela indústria gaúcha.

A empresa também participa do Projeto SIA - Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial, iniciativa liderada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), de São José dos Campos (SP), através do desenvolvimento, produção e testes do computador de bordo (OBC). O OBC possibilita a capacidade de processamento e interfaces para executar as atividades de supervisão de bordo e controle de atitude e órbita de lançadores e satélites.

A AEL Sistemas conta com uma sala limpa de classe 100.000, além de câmaras climáticas e um shaker para ensaios ambientais e mecânicos. Sua equipe é treinada e certificada de acordo com as normas da Agência Espacial Europeia, para a montagem de componentes SMD (surface mount technology / tecnologia de montagem em superfície).

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134 (setembro de 2013).
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

"A Era dos Pequenos, Micros e Nano satélites (4)", artigo de José Monserrat Filho

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A Era dos Pequenos, Micros e Nano satélites (4)

José Monserrat Filho

Como são regulados os pequenos satélites (micros, nano, cube, pico etc.)? Qual é sua definição legal? Ainda não há respostas a essas perguntas. Talvez elas venham a existir quando os pequenos satélites começarem a gerar problemas e riscos específicos. Mas, por enquanto, não há distinção jurídica entre satélites pequenos ou grandes, pelo menos no nível mundial. Todos são objetos espaciais, segundo a legislação internacional vigente. Só que ainda não há, no Direito Espacial Internacional, uma definição amplamente reconhecida de "objeto espacial".

Existe apenas a referência idêntica feita nos artigos 1º da Convenção sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais, de 1972, e da Convenção Relativa ao Registro de Objetos Lançados ao Espaço Cósmico, de 1975 (das quais o Brasil é parte). Diz essa referência: "O termo 'objeto espacial' inclui as peças componentes de um objeto espacial e também seu veículo lançador e respectivas peças."¹

Essa definição "não é clara nem satisfatória", criticou Isabella Diederiks-Verschoor². A rigor, não estamos diante de uma definição, embora seja correto dizer que de um objeto espacial fazem parte seus componentes, bem como seu veículo lançador e as peças desse veículo. Hoje se admite tranquilamente que um detrito (lixo) espacial feito por seres humanos é um objeto espacial, mas é preciso pôr isso no papel e assinar em baixo. Há que esclarecer o que se entende legalmente por "objeto espacial". Essa é uma das grandes lacunas do Direito Espacial Internacional - lacuna que tem a mesma idade da Era Espacial, inaugurada pelo Sputnik-1, em 1957, ou seja, 56 anos.

A propósito, para se ter uma ideia mais concreta do problema, vale perguntar: uma estação espacial é um objeto espacial ou um conjunto de objetos espaciais?

Para Bin Cheng, o termo cobre todo tipo de objeto - "satélites, espaçonaves, veículos espaciais, equipamentos, estruturas, estações, instalações e outras construções, inclusive seus componentes, bem como seus veículos lançadores e respectivas partes"3. Quer dizer, tamanho não é documento.

Propostas de definição de "objeto espacial" há muitas - Em 1988, H. A Baker escreveu, por exemplo: "'Objeto espacial' 1) significa (a) qualquer objeto (i) destinado a ser lançado, que esteja ou não em órbita, ou além; (ii) lançado, que esteja ou não em órbita, ou além; ou (iii) qualquer objeto usado instrumentalmente como meio para lançar qualquer objeto definido no item 1(a); e 2) e inclui (a) qualquer parte oriunda do objeto espacial ou (b) qualquer objeto a bordo do qual se desprenda, seja ejetado, emitida, lançado ou jogado fora, intencionalmente ou não, desde o momento da ignição dos propulsores do primeiro estágio."4 É complicado, mas com um pequeno esforço, dá para entender.

Por sua vez, o Núcleo de Estudos de Direito Espacial (NEDE), da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), tem trabalhado com o conceito de objeto espacial como "artefato, no todo ou em parte, lançado ou a ser lançado para realizar atividades espaciais, bem como seu veículo lançador e partes componentes, seja qual for o resultado do lançamento e sendo ou não controlado por seu operador".

Assim, o tamanho, o peso e a missão dos pequenos satélites não importam. Eles são regidos, tal qual os grandes satélites, pelo atual sistema jurídico que regula o espaço exterior e as atividades nele exercidas por entidades governamentais e não-governamentais e organizações intergovernamentais. O sistema é incompleto e carente de atualização, mas é o que temos hoje e deve ser respeitado, dentro do compromisso e do espírito de fortalecer o Estado de Direito, sem o qual a situação pode tornar-se ainda mais prejudicial para a paz e a cooperação entre todos os países, grandes e pequenos.

E as resoluções da Assembleia Geral da ONU? - Elas também são consideradas parte do dito sistema, embora não com a mesma força dos tratados. Entre as resoluções, declarações, princípios e diretrizes sobre questões espaciais aprovadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, estão: os Princípios Reguladores do Uso pelos Estados de Satélites Artificiais para Transmissão Direta Internacional de Televisão, de 1982; os Princípios sobre Sensoriamento Remoto, de 1986; os Princípios Relativos ao Uso de Fontes de Energia Nuclear no Espaço Exterior, de 1992; a Declaração sobre a Cooperação Internacional na Exploração e Uso do Espaço Exterior em Benefício e no Interesse de todos os Estados, Levando em Especial Consideração as Necessidades dos Países em Desenvolvimento, de 1996; a Aplicação do Conceito de Estado de Lançamento, de 2004; a Plataforma das Nacões Unidas de Informações Obtidas a partir do Espaço Exterior para a Gestão de Desastres Naturais e a Resposta de Emergência, de 2006.

Também aqui se fala em objetos espaciais e satélites, mas sem diferenciá-los do ponto de vista jurídico.

Com base em tal sistema de princípios, normas e resoluções, obrigatórios ou apenas recomendativos, pode-se afirmar que "todos os direitos e obrigações internacionais dos Estados relativos aos grandes satélites são igualmente relevantes para a conduta das atividades espaciais que utilizam pequenos satélites", como salienta Ram S. Jakhu, professor do Instituto de Direito Aeronáutico e Espacial da Universidade McGill, que tem sede em Montreal, Canadá.5

Mas essa situação permanecerá assim para sempre? O que se pode esperar de uma futura legislação sobre os pequenos, micros e mini satélites? Seu uso poderá ser restringido de alguma forma?

São os desafios que enfrentaremos em próximo artigo. Até lá.

José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB, vice-presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial, e diretor honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, membro pleno da Academia Internacional de Astronáutica

Notas e referências:

1) Ver textos das convenções em . Ver também o livro Direito Espacial Contemporâneo - Responsabilidade Internacional, de Olavo de Oliveira Bittencourt Neto, publicado pela Ed. Juruá, em 2011. Ver ainda Cologne Commentary on Space Law, Volume II, Hobe, Schmidt-Tedd, Schogl (ed); Cologne, Germany: Carl Heymanns Verlag, 2013, pp. 114-115.
2) Diederiks-Verschoor, I. H. Ph, An Introduction to Space Law, Kluwer Law International, 1999, p. 47.
3) Bin Cheng, Studies on International Space Law, Clarendon Press, USA, Oxford, p. 464.
4) Baker, H. A, Liability for Damage Caused in Outer Space by Space Refuse, 12 Ann. Air & Space L. 183 at 192, 1988, citado por Bruce A. Hurwitz in Space Liability for Outer Space Activities, Martinus Nijhoff Publichers, 1992, p. 26.
5) Jakhu, Ram S., Pelton, Joseph N., Small Satellites and Their Regulation, SpringerBriefs in Space Development and International Space University (ISU), 2013.
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domingo, 15 de dezembro de 2013

Cooperação Brasil - França

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Acordos entre Brasil e França contemplam área aeroespacial

Brasília 13 de Dezembro de 2013 - A presidente Dilma Rousseff fortaleceu as relações de cooperação do país com a França ao assinar nesta quinta-feira (12) com o presidente François Hollande acordos envolvendo a instalação de uma infraestrutura de computação de alto desempenho, a transferência de tecnologia para o satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas e novas ações do programa Ciência sem Fronteiras (CsF).

Na declaração à imprensa, a presidenta ressaltou o nível da parceria. “França e Brasil mantêm uma cooperação cujos conteúdos, abrangência e profundidade a tornam única”, afirmou. “Isso é verdadeiro, sobretudo, nas indústrias de defesa e de bens de alta tecnologia.”

O presidente em exercício da Agência Espacial Brasileira (AEB), Petrônio de Souza, firmou memorando de entendimento acerca da transferência de tecnologia para a construção do satélite geoestacionário brasileiro, a cargo da empresa francesa Thales Alenia Space, representada por seu diretor-geral, Jean-Bernard Lévy.

Lévy ainda assinou o contrato referente ao desenvolvimento do satélite pela Thales, com o presidente da Visiona Tecnologia Espacial – sociedade entre a Embraer e a Telebrás -, Nelson Salgado, que também estabeleceu compromisso com o consórcio europeu Arienespace, responsável pelo lançamento do satélite. A tecnologia servirá para a comunicação do governo e para levar internet banda larga a municípios ainda não servidos pela Telebrás.

Segundo Souza, que também é diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, “o acordo de transferência de tecnologia é uma parte essencial do processo de aquisição do satélite”. O trabalho deve envolver sistemas eletrônicos a bordo, estruturas de maior porte e aplicações de dados.

Computação – O secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Antonio Elias, e a ministra francesa da Educação Superior e Pesquisa, Geneviève Fioraso, assinaram declaração de intenções objetivando criar uma infraestrutura de computação de alto desempenho no Brasil, capaz de colocar o país entre os líderes mundiais na área até o fim de 2016.

Dilma informou que o plano de trabalho estabelecido prevê a aquisição de um supercomputador da empresa francesa Bull e a instalação de dois centros de pesquisa, um em Petrópolis (RJ), em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI), e outro no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), na capital fluminense.

Pelo acordo, o Brasil se compromete a fomentar produtos e serviços de supercomputação.  “Hoje, apenas dez países detêm capacidade instalada nesse campo”, destacou Dilma. “Com a implementação desse plano de trabalho, o Brasil entra para esse restrito grupo e desenvolverá atividades de pesquisa em áreas estratégicas.”

Hollande também enfatizou a previsão de o país ingressar na elite mundial da supercomputação. “Ficamos muito satisfeitos com o fato de a Bull possibilitar essa capacidade, a ser criada nos centros de pesquisa”, ressaltou. Além do LNCC, integram a iniciativa pelo lado brasileiro a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), entidades vinculadas ao MCTI.

Intercâmbio – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fechou mais duas parcerias para o CsF. O primeiro acordo promove a aprendizagem do idioma francês para estudantes e futuros participantes do programa. O outro acerto bilateral prevê a recepção pelo país europeu de alunos em ciclo de mestrado profissional, com 500 bolsas em 2014 e mais 500 em 2015.

“A França é hoje o terceiro principal destino dos bolsistas do Ciência sem Fronteiras e já recebeu 4,8 mil alunos, dos quais 2.226 ainda se encontram naquele país. São em sua maioria estudantes de engenharia, e merece destaque o esforço expressado no acordo entre os dois governos para que nossos alunos complementem sua formação com estágios técnicos em empresas francesas.”

Hollande recordou que o compromisso inicial do país europeu para o programa era acolher 10 mil estudantes em cinco anos. “Posso dizer que já são quase seis mil [assegurados], mas queremos ir mais longe”, avisou. “Vamos também lançar o curso online Francês sem Fronteiras. Trata-se de divulgar amplamente a língua, à distância ou localmente”.

Fonte Coordenação de Comunicação Social (CCS) da AEB, com informações do MCTI
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Entrevista com Stéphane Israël, presidente da Arianespace

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Stéphane Israël, diretor-presidente da Arianespace, esteve ontem (12) no Brasil para assinar (veja a nota "SGDC: contratos assinados") com a Visiona o contrato de lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), integrando a comitiva do presidente francês François Hollande. Executivo com passagens no setor aeroespacial desde 2007, Israël assumiu a presidência da Arianespace em abril deste ano e gentilmente concedeu uma curta entrevista para a revista Tecnologia & Defesa e blog Panorama Espacial com um enfoque na presença da Arianespace no País e região e perspectivas para o futuro.

Com o SGDC, a Arianespace conquistou um novo cliente na região. Poderia falar um pouco sobre a história da empresa e sua presença no Brasil?

Deixe-me primeiramente dizer que estou extremamente orgulhoso e feliz pela seleção da Arianespace para o lançamento do SGDC, e dou boas vindas a Visiona, as suas acionistas Telebras e Embraer, a bordo do sistema de lançamento Ariane 5 e à comunidade de clientes da Arianespace. De fato, a Arianespace tem acompanhado este programa, anteriormente chamado SGB [Satélite Geoestacionário Brasileiro], por algum tempo, mas sempre com a confiança de que se concretizaria, estimulado pelo rápido crescimento do mercado de telecomunicações e pelo muito dinâmico setor espacial no Brasil.

Nosso histórico no Brasil é forte e remonta os anos oitenta com o lançamento do primeiro satélite de comunicações do País, o Brasilsat A1, a bordo de um Ariane 3. Desde então, lançamos com sucesso nove satélites para a Embratel, como operadora nacional de telecomunicações e posteriormente para o grupo privado Embratel - Star One. Entre 2014 e 2016, dois satélites adicionais, o Star One C4 e o Star One D1 serão lançados.

Obviamente, nosso objetivo é desenvolver nossa presença no Brasil mantendo nosso excelente relacionamento com a Embratel - Star One, nosso cliente histórico, e apoiando futuros projetos governamentais para comunicações, observação terrestre ou meteorologia. Graças a nossa família de veículos lançadores e à disponibilidade do Ariane 5, Soyuz e Vega no Centro Espacial da Guiana, podemos endereçar quaisquer necessidades. Então, estamos aqui com perspectivas de longo prazo.

O mercado de comunicações por satélite na América Latina tem crescido significativamente nos últimos anos. Como está a Arianespace na região e quais são as perspectivas para o futuro?

De fato, a América Latina é atualmente a mais dinâmica região do mundo em relação a comunicações por satélite, atingindo taxas anuais de crescimento de cerca de 10%. O crescimento na região é estimulado por grandes investimentos tanto em telecomunicações como serviços de TV, acelerados em razão do forte desenvolvimento econômico observado nos anos recentes.

A Arianespace acompanha os operadores latino-americanos em seus desenvolvimentos, tendo colocado em órbita 71% de seus satélites. Refletindo a importância da região, a atual carteira de pedidos da Arianespace conta com 11 satélites destinados à região. Isto ilustra o dinamismo deste mercado, e vários operadores, como a Hispasat, Intelsat, Echostar, DirecTV estão posicionando seus satélites sobre a região para servir este mercado em franco crescimento. Isto vem, é claro, em adição à Star One, que desempenha um papel principal como um forte operador regional com capacidades técnicas e comerciais amplamente reconhecidas. A Copa Mundo e os Jogos Olímpicos no Brasil são eventos que demandarão capacidade em curto prazo. Ainda, no longo prazo as dinâmicas estão aí para sustentar a demanda.

Alguns países latino-americanos estão adquirindo ou planejam adquirir satélites de sensoriamento remoto, um dos nichos explorados pelo Vega. Você vê oportunidades para missões do Vega na região?

Países latino-americanos estão desenvolvendo suas capacidades espaciais muito rapidamente, não apenas no campo das telecomunicações, mas também para sensoriamento remoto. A Arianespace lançou em 2011 o primeiro satélite chileno para observação. Muitos países da região, como o Peru, a Argentina e a Colômbia estão desenvolvendo tais capacidades. A Arianespace, graças a sua família de veículos lançadores, cuja confiabilidade não é superada, e que é capaz de lançar qualquer massa, a qualquer órbita e a qualquer momento, está estimulada a participar do desenvolvimento de tais infraestruturas.

Neste segmento de mercado também, a Arianespace espera ser parte do programa brasileiro de futuros satélites de sensoriamento remoto. Eu acho que as ligações existentes entre nossos dois países, como ilustrado por esta visita do presidente Hollande ao Brasil, permitirá uma cooperação frutífera neste campo de atividade. A França e a Europa têm tecnologias para melhor servir o Brasil, atender suas necessidades e mesmo possibilitar a cooperação para o desenvolvimento de capacidades locais.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cooperação Brasil - Rússia

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Brasil e Rússia querem ampliar cooperação na área espacial

Brasília 11 de dezembro de 2013 - O aumento de itens para cooperação nas áreas científica e tecnológica, principalmente no segmento espacial, entre Brasil e Rússia, foi um dos temas da pauta de discussão da 8ª Reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Industrial, Científica e Tecnológica entre Brasil e Rússia (CIC), realizada na segunda (9) e terça-feira (10), em Brasília (DF).

Os dois países se comprometeram a reforçar entendimentos visando a aumentar a capacitação de recursos humanos incluindo nessa questão o programa Ciência sem Fronteiras Espacial (CsF-Espacial), bem como estimular maior intercâmbio entre instituições de ensino e pesquisa e grupo de pesquisadores.

Outra proposta a ser estudada a partir de março de 2014 com o envolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB) diz respeito à área de satélites, com a elaboração de programas para o compartilhamento de dados de sensoriamento remoto.

A Rússia também vai instalar no início do próximo ano na Universidade de Brasília (UnB) mais duas antenas para operação do seu Sistema de Navegação Global por Satélite (Glonass) e ampliar a infraestrutura laboratorial que mantém na instituição e que hoje é fonte de pesquisa para estudantes e professores.

Além dessas duas antenas, que segundo os representantes russos são mais tecnologicamente avançadas, está programada a implantação de uma instalação de recepção de sinais no Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITP), em Recife, e outra na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. O Glonass, operacionalizado desde 1976, tem hoje o suporte de 24 satélites.

A AEB foi representada na reunião pelo chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho.

Fonte: AEB
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SGDC: contratos assinados

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Como aguardado, foram assinados hoje (12) os contratos de fornecimento e lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), durante a visita oficial de estado do presidente François Hollande ao Brasil. Também foi firmado um memorando de entendimentos (MoU, sigla em inglês) entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Thales Alenia Space (TAS), fabricante do SGDC, relacionado à transferência de tecnologia associada à aquisição do satélite.

Abaixo, reproduzimos as notas oficiais divulgadas pela Visiona e TAS:

Visiona assina contratos com fornecedores do sistema do satélite geoestacionário brasileiro - SGDC 

A Visiona assinou hoje, 12/12, os contratos com as empresas Thales Alenia Space (TAS) e Arianespace, que concordaram em fornecer, respectivamente, o satélite e seu lançamento. O contrato com o fornecedor do satélite também prevê a transferência de tecnologia para empresas brasileiras, sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB).

A contratação dos fornecedores pela Visiona foi formalizada apenas duas semanas após a assinatura do contrato com a Telebras, cliente final do sistema SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas). “Mais uma etapa fundamental do projeto foi concluída, o que nos permite dar continuidade ao trabalho de desenvolvimento do sistema”, afirma Nelson Salgado, presidente da Visiona.

Com duração de 12 meses, o processo de seleção dos fornecedores baseou-se nas melhores práticas internacionais e teve como foco o atendimento dos parâmetros técnicos, operacionais e econômicos do projeto, além do requerimento de absorção e transferência de tecnologia definido pelo governo brasileiro.

Com o sistema SGDC, o Brasil pretende não só conquistar a soberania em comunicações estratégicas civis e militares, como ampliar o acesso à banda larga de Internet para todo o território nacional.

Thales Alenia Space assina contrato para fornecer Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações

Brasília, 12 de dezembro de 2013 – O Presidente e CEO do Grupo Thales, Jean-Bernard Lévy, assinou hoje o contrato entre a Thales Alenia Space (joint-venture entre Thales e Finmeccanica) e a Visiona (joint-venture entre a Embraer e a Telebrás) para fornecimento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC). O executivo integra o grupo de empresários que acompanha o presidente francês François Hollande em sua visita ao país.

O contrato é fundamental para os planos de desenvolvimento espacial da Agência Espacial Brasileira e vai ao encontro dos requerimentos estratégicos do Ministério da Defesa, atendendo dois objetivos primários do país: a implantação de um sistema de comunicações via satélite seguro para o Governo Brasileiro e Forças Armadas e a implantação do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), coordenado pela operadora Telebrás, para reduzir a exclusão digital do país. O SGDC integra a estratégia do Brasil para reforçar a sua independência e soberania.

“Nossa equipe está mobilizada para garantir o cumprimento de todos os nossos compromissos e assegurar a integração harmoniosa das empresas brasileiras neste importante projeto. Eu agradeço às agências governamentais francesa e italiana pelo apoio na conclusão bem-sucedida desta nova colaboração internacional”, declara Jean Loïc Galle, Presidente e CEO da Thales Alenia Space.

Com mais de 40 anos de presença no Brasil com ampla atuação nos setores militar e civil de Defesa, Segurança, Aeroespacial, Espacial e de Transportes, a Thales é líder absoluta no setor de radares de controle de tráfego aéreo. Sede da operação latino-americana, o Brasil já representa mais de 50% dos negócios da empresa na região, onde vem expandindo permanentemente suas operações e reforçando sua presença por meio de várias parcerias locais importantes.

"A Thales está muito bem posicionada nos projetos de infraestrutura e defesa do Brasil, todos fundamentais para decolar a ambição do país de crescer a sua base industrial para aumentar sua capacidade de vislumbrar mercados internacionais a partir de uma forte base doméstica. Consequentemente, a estratégia da Thales de transferir tecnologia, estabelecer uma base industrial local e desenvolver parcerias locais está 100% alinhada à política de investimento brasileira", afirma Julien Rousselet, Diretor Geral da Thales no Brasil.

Thales Alenia Space firma MoU com Agência Espacial Brasileira

Brasília, 12 de dezembro de 2013 – A Thales Alenia Space anunciou hoje a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a Agência Espacial Brasileira referente à transferência de tecnologias para o Brasil. O acordo complementa o contrato firmado entre a Thales Alenia Space e a Visiona (joint-venture entre Embraer e Telebras) para construir o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), satélite de telecomunicações de uso dual.

Os acordos de hoje marcam o primeiro passo importante na ambiciosa parceria entre a Thales Alenia Space, a Agência Espacial Brasileira e a indústria espacial brasileira. Esta cooperação ganhará corpo nos próximos meses, baseada no plano de transferência de tecnologia proposto pela Thales Alenia Space, que vai de encontro às expectativas das entidades brasileiras envolvidas. As transferências dizem respeito à telecomunicações via satélite, observação e meteorologia, além de outras áreas. Elas se darão por um período de cinco anos, em linha com os projetos espaciais planejados pelo Governo Brasileiro. Este acordo vai fornecer uma sólida base para desenvolvimentos conjuntos, assim como uma parceria estrutural de longo prazo.

"Nós estendemos o nosso agradecimento à Agência Espacial Brasileira por nos confiar esta missão. Nossa equipe já está trabalhando duro para apoiar a estratégia de desenvolvimento espacial do Brasil, que vai garantir a independência e a soberania do país no médio prazo", afirma Jean-Loïc Galle, Presidente e CEO da Thales Alenia Space.

Fontes: Visiona e Thales Alenia Space.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

CBERS 3: análise da falha e antecipação do CBERS 4

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Comitê analisa falhas e antecipação do lançamento do Cbers-4

Brasília 10 de Dezembro de 2013 – O comitê de coordenação do programa Cbers (JPC, em inglês) reuniu-se extraordinariamente nesta terça-feira (10), em Beijing, na China, para analisar as causas da falha ocorrida no lançamento do satélite Cbers-3 e a antecipação da data de lançamento do Cbers-4.

Além do ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, participaram o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi, e técnicos chineses, responsáveis pelo desenvolvimento de parte do satélite, pelo foguete Longa Marcha-4B e pelas operações de lançamento.

Segundo Braga Coelho, como ainda não há um diagnóstico preciso sobre as causas do acidente, as decisões a respeito dos aprimoramentos e eventuais reparos no lançador só serão tomadas depois do fim das investigações. Até o momento, a única informação concreta é que houve uma falha no terceiro estágio do foguete, cujas eventuais causas são tema desta investigação.

Em relação ao prazo mínimo em que o Cbers-4 poderia ser lançado, dois cenários estão sendo considerados pelos técnicos dos dois países. Em ambos, a preparação do Cbers-4, que é prevista para o final de 2015, pode ser antecipada para o final de 2014 ou maio de 2015.

Fonte: AEB
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CBERS 3: nota da Opto Eletrônica

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Falha em foguete chinês não tira mérito do Programa Espacial Brasileiro

A Opto Eletrônica S.A. lamenta o incidente ocorrido no posicionamento do satélite CBERS-3 em órbita, na madrugada desta segunda, 09/12 (às 1h26, horário de Brasília). O satélite CBERS-3, desenvolvido conjuntamente por Brasil e China, foi lançado pelo veículo chinês Longa Marcha 4B, do Centro de Lançamentos de Satélites de Taiyuan, China. Avaliações preliminares apontam que uma falha no sistema de propulsão do veículo lançador, sob responsabilidade chinesa, resultaram na colocação do satélite em órbita inadequada, ocasionando perda do equipamento.

O satélite carregava duas câmeras chinesas e duas brasileiras. À parte brasileira, coube a Opto Eletrônica, vencedora em licitação, desenvolver a partir do zero as câmeras MUX (multiespectral) e WFI (wide field imager; esta, em parceria com a empresa Equatorial Sistemas).  Hoje, apenas outros sete países (EUA, França, Rússia, Índia, Japão, China e Israel) detêm o conhecimento e a tecnologia necessários para desenvolver e produzir câmeras como estas. Os dados obtidos mostram que os subsistemas do CBERS-3, incluindo as câmeras funcionaram normalmente durante a tentativa de colocação em órbita. O satélite funcionou dentro do esperado até o choque contra a superfície da Antártida.

Importante ressaltar que já foram produzidos mais dois modelos de voo (Flight Models, FMs), completamente idênticos, de cada uma das duas câmeras que equipavam o satélite CBERS-3. Tais modelos estão prontos e funcionais para equipar os satélites CBERS-4 e CBERS-4B.

Portanto, iniciam-se imediatamente discussões técnicas entre os dois países visando à antecipação da montagem e lançamento do CBERS-4.

A história mostra que, apesar de completamente indesejáveis, as perdas de satélites durante o lançamento e “comissionamento” são relativamente comuns, mesmo para países que dominam completamente as tecnologias de propulsão envolvidas, como EUA, Rússia e a própria China.  O satélite americano Landsat 6, por exemplo, teve falha similar em 1993, depois de uma série de cinco lançamentos bem sucedidos.

Como tal, o incidente de hoje deve ser encarado como mais uma etapa no aperfeiçoamento do complexo sistema propulsão de veículos lançadores. Neste instante, os engenheiros chineses, responsáveis pela construção e operação do veículo lançador, estão avaliando as possíveis causas do problema.

O programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês) gera imagens da superfície do território brasileiro para aplicações diversas, tais como zoneamento agrícola, monitoramento de desastres naturais e acompanhamento de alterações da cobertura vegetal, com grande aplicação na região amazônica.

De acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, Brasil e China alcançaram resultados frutíferos nos últimos 25 anos de cooperação na área espacial, e estão confiantes na continuidade desse êxito.

Fonte: Opto Eletrônica.

Comentários do blog: como já era especulado momentos após a confirmação da falha do lançamento do CBERS 3, a estratégia a ser seguida pelos governos do Brasil e da China será a de acelerar a montagem do CBERS 4 para que este seja lançado tão logo que possível. Interessante notar que as partes consideram o lançamento de um terceiro satélite da segunda série, o CBERS 4B, estratégia similar a adotada no caso do CBERS 2B, que também fez uso de componentes redundantes e de engenharia.
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CBERS 3: reunião extraordinária na China

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Na nota divulgada esta manhã pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre a falha no lançamento do CBERS 3, consta a informação de que os governos do Brasil e China concordaram iniciar discussões técnicas visando a aceleração da montagem e lançamento do CBERS 4, antes prevista para 2015. Uma reunião para essa discussão, que terá a presença de dirigentes do Programa Espacial Brasileiro que se encontravam no país para acompanhar a missão ocorrerá amanhã (10), na China.

Reproduzimos abaixo trecho da nota divulgada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação:

"Para tanto, foi convocada uma reunião extraordinária do comitê conjunto de coordenação do programa CBERS (JPC, em inglês), para esta terça-feira, 10 de dezembro, na China, da qual participam representantes de todas as partes envolvidas no projeto. Dentre eles, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e chineses responsáveis pelo desenvolvimento da parte chinesa do satélite, pelo lançador e pelas operações de lançamento. Nesta reunião, serão discutidas as causas da falha no lançamento e os próximos passos do programa."
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CBERS 3: nota do INPE

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Lançamento do CBERS-3

Às 11h26, hora de Beijing (1h26, hora de Brasília), desta segunda-feira (9/12), o satélite CBERS-3, desenvolvido conjuntamente por Brasil e China, foi lançado pelo veículo chinês Longa Marcha 4B, do Centro de Lançamentos de Satélites de Taiyuan, China. Porém, houve uma falha de funcionamento do veículo lançador durante o voo e, consequentemente, o satélite não foi posicionado na órbita prevista. Avaliações preliminares sugerem que o CBERS-3 tenha retornado ao planeta.

Engenheiros chineses responsáveis pela construção do veículo lançador estão avaliando as causas do problema e o possível ponto de queda.

Os dados obtidos mostram que os subsistemas do CBERS-3 funcionaram normalmente durante a tentativa de sua colocação em órbita.

Para assegurar o cumprimento dos objetivos do programa CBERS, Brasil e China concordaram em iniciar imediatamente discussões técnicas visando a antecipação da montagem e lançamento do CBERS-4.

O programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês) gera imagens da superfície do território brasileiro para aplicações diversas, tais como zoneamento agrícola, monitoramento de desastres naturais e acompanhamento de alterações da cobertura vegetal, com grande aplicação na região amazônica.

O CBERS-3 seria o quarto satélite do programa a entrar em órbita. Os três satélites anteriores operaram adequadamente e cumpriram suas missões.

Brasil e China alcançaram resultados frutíferos nos últimos 25 anos de cooperação na área espacial, e estão confiantes na continuidade desse êxito.

Fonte: INPE
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CBERS 3: sucesso ou falha?

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O satélite CBERS 3 foi lançado ao espaço na madrugada de hoje (09), a partir do centro espacial de Taiyuan, a 700 km de Pequim, na China, por um foguete Longa Marcha 4B.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou nesta madrugada uma nota dando conta do sucesso da missão ("CBERS-3 é lançado com sucesso"), relatando que o foguete teria cumprido "perfeitamente todas as etapas previstas para colocação do satélite em órbita". Alguns sites de notícias do Brasil e do exterior também noticiaram o sucesso no lançamento.

No entanto, há informações de que teria havido uma falha no lançamento, com a inserção do satélite numa órbita incorreta, ocasionando sua reentrada na atmosfera. Uma fonte que acompanhava o lançamento na China afirmou ao blog que o CBERS 3 chegou a operar, tendo enviado dados por telemetria por cerca de quinze minutos.

Aguardamos uma confirmação oficial sobre a falha.
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Notícias do CBERS 3

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CBERS-3 passa pela primeira simulação de lançamento

CBERS-3 será lançado por foguete chinês

CBERS-3 é integrado ao foguete Longa Marcha 4B
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Inova Aerodefesa: resultado preliminar

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Aprovados 91 planos de negócio de 64 empresas no Inova Aerodefesa

A Finep acaba de divulgar o resultado preliminar da Etapa de Seleção dos Planos de Negócio apresentados pelas empresas no edital Inova Aerodefesa. Ao todo, foram aprovados 91 planos de 64 empresas líderes. Até o momento, a demanda qualificada soma R$ 8,68 bilhões contra R$ 2,9 bilhões disponíveis no edital. O resultado final, após recursos, está previsto para 23 de dezembro de 2013.

A finalidade da chamada é selecionar Planos de Negócio de empresas brasileiras que contemplem projetos de inovação nas quatro linhas temáticas: Aeroespacial, Defesa, Segurança e Materiais Especiais. A ideia é incentivar o adensamento de toda a cadeia produtiva destes setores, considerados estratégicos dentro do Plano Inova Empresa, do Governo Federal. Cada projeto receberá o total de até 90% do financiamento, sendo os 10% restantes contrapartida obrigatória das instituições qualificadas.

A demanda do Inova Aerodefesa (proveniente dos Planos de Negócio recebidos) atingiu R$ 10 bi – valor 3,4 vezes maior do que os recursos disponíveis no edital. Ao todo, foram 98 Planos de Negócios e 70 empresas líderes (cada líder poderia mandar até quatro propostas).

O Programa Inova Aerodefesa está sendo conduzido pelo Departamento das Indústrias Aeroespacial, Defesa e Segurança, lotado na Superintendência Regional de São Paulo. Contatos com relação a este programa devem ser direcionados para o e-mail cp_inova_aerodefesa@finep.gov.br.

Fonte: FINEP
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CBERS 3 se aproxima do lançamento

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Prosseguem os preparativos para lançamento do CBERS-3

Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2013

Na base de Taiyuan, na China, foi realizada a instalação do satélite sino-brasileiro CBERS-3 ao adaptador do terceiro estágio do lançador Longa Marcha 4B. Em seguida a coifa foi montada também ao adaptador do terceiro estágio do foguete. A operação ocorreu no dia 25 de novembro. O conjunto montado será transportado para a torre de lançamento para acoplamento aos demais estágios do Longa Marcha 4B. O satélite está previsto para ser lançado no próximo dia 9 de dezembro.

As informações são da equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que, ao lado do time da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês), realizam os últimos preparativos para o lançamento do quarto satélite do Programa CBERS (sigla para China-Brazil Earth Resources Satellite; em português, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Mais informações sobre o Programa CBERS na página http://www.cbers.inpe.br

Fonte: INPE

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"A Era dos Pequenos, Micros e Nano satélites (3)", artigo de José Monserrat Filho

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A Era dos Pequenos, Micros e Nano Satélites (3)

José Monserrat Filho

Hoje faremos uma breve viagem no tempo. Vamos visitar o passado. Para começar, permitam-me aterrissar, em 1989, na Universidade Internacional do Espaço (International Space University - ISU), criada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA, em 1987, com o entusiástico apoio do escritor Arthur C. Clarke (1917-2008), autor do conto que deu origem ao filme "2001 - Odisséia no Espaço". A ISU segue viva e ativa até hoje em sua sede em Estrasburgo, França, já tendo graduado mais de 3.700 estudantes de mais de 100 países.

Em meados daquele 1989, vinte anos após dois seres humanos terem pisado na Lua pela primeira vez, apenas dois brasileiros figuravam entre os cerca de 120 alunos do então segundo curso de verão (dois meses e meio) da ISU: Antônio Fernando Bertachini de Almeida Prado - hoje renomado pesquisador, chefe da Divisão de Mecânica Espacial e Controle e presidente do Conselho de Pós-Graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - e eu. Foi uma experiência rica e inesquecível. Tivemos um painel amplo, atualizado e prático das atividades espaciais em seus muitos e variados aspectos.

Para continuar lendo o artigo, clique aqui.

INPE em apoio à missão indiana a Marte

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INPE conclui com sucesso suporte à missão a Marte

Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2013

Por meio de suas estações de rastreio e controle instaladas em Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) deu suporte à primeira missão a Marte promovida pela Índia (Mars Orbiter Mission – MOM).

“No dia 30 de novembro a MOM concluiu sua fase geocêntrica e entrou na fase heliocêntrica. Acompanhamos toda a fase geocêntrica, desde a separação da cápsula do seu lançador no último dia 5 de novembro”, conta Pawel Rozenfeld, chefe do Centro de Rastreio e Controle (CRC) do INPE.

O suporte à missão indiana levou as equipes do INPE a trabalharem em condições diferentes das usuais, uma experiência considerada enriquecedora pelos técnicos.

“Enquanto a passagem normal de satélites de órbita baixa, como o CBERS, dura no máximo treze minutos, a MOM se mantém visível para uma estação por mais de sete horas, durante as quais todas as tarefas de rastreio e controle são executadas. Esta visibilidade tão longa é devido ao tipo de órbita extremamente elíptica da MOM”, explica Rozenfeld.

As seis manobras de elevação do apogeu da MOM foram efetuadas pelos equipamentos de bordo configurados pelas estações de Cuiabá e Alcântara. “Para o INPE, a participação nesta missão foi muito útil, já que permitiu conhecer o limite da capacidade real das suas estações nas condições extremas de operação”, conclui o chefe do CRC/INPE.

CRC

O Centro de Rastreio e Controle (CRC), que realiza a operação em órbita dos satélites desenvolvidos pelo próprio INPE ou em cooperação com instituições estrangeiras, também está capacitado a dar suporte a missões espaciais de terceiros. Mais informações sobre o CRC na página www.inpe.br/crc.

Fonte: INPE
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Análise: do SGB ao SGDC

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Após meses de expectativa desde a seleção dos fornecedores em agosto, ontem (28) foi finalmente assinado o contrato entre a Telebras e a Visiona Tecnologia Espacial que, de fato, concretiza o desejo de mais de uma década do governo brasileiro em dispor de um sistema próprio para comunicações estratégicas e militares.

Idealizado inicialmente com o nome Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), o projeto sofreu significativas alterações, perdendo algumas funções (CNS/ATM, meteorologia) e adquirindo outras (atendimento ao Plano Nacional de Banda Larga), passando então a adotar o "pomposo" nome de Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seu resultado, é inegável, foi significativamente influenciado pelo "fator Snowden".

Aspecto pouco (ou nem sequer) analisado na imprensa, mesmo especializada, é o significado do SGDC para o Programa Espacial Brasileiro, não necessariamente em transferência tecnológica, elemento que, pelo que apuramos, tem uma natureza de "soft" e é relativamente incerto (Nota do blog: abordaremos este assunto com mais detalhes em breve).

O SGDC "patrocinou" a criação da Visiona, que ambiciona ser a prime contractor de projetos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa. Ainda, é exemplo claro de que o Programa Espacial não necessariamente terá o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como ator principal e impulsor de iniciativas. Obviamente, este participa e participará, mas os impulsos e decisões parecem vir de motivações e decisões de outros setores do governo.

O extrato de dispensa de licitação publicado no Diário Oficial traz mais detalhes sobre a contratação, tais como o valor exato (pouco menos de $1,311 bilhão), e o prazo de execução (222 meses), que se estende até o término da vida útil do satélite quando em órbita.

Agora, conforme noticiado na imprensa francesa, a expectativa é que os contratos para a construção do satélite e seu lançamento, respectivamente, a cargo da franco-italiana Thales Alenia Space e da europeia Arianespace, sejam assinados nas próximas semanas e oficialmente anunciados na visita do presidente francês, François Hollande, ao Brasil, entre 12 e 13 de dezembro.

A missão de Hollande, aliás, lembra a visita de outro presidente francês, Nicolas Sarkozy, em dezembro de 2008, ocasião em que foi firmado um instrumento de parceria estratégica entre os dois países, que incluía tópicos na área espacial, inclusive o próprio satélite geoestacionário, além de negócios bilionários envolvendo submarinos e helicópteros.

Transferência de tecnologia

Em reportagem da Space News, consta a informação, possivelmente oriunda de fontes francesas, de que como parte do processo de transferência (ou absorção?) de tecnologia, cerca de 30 engenheiros da Embraer (Nota do blog: acreditamos que, na verdade, sejam da Visiona) passarão a ter residência próximas as instalações da Thales Alenia Space em Cannes e Toulouse, durante o período de execução do contrato. O mesmo texto também cita o início de 2017 como época prevista para o lançamento.

Na entrevista com José Raimundo Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), publicada ontem (veja aqui), apresentamos detalhes sobre como será o processo de definição de transferência tecnológica associada ao SGDC.
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AEB: workshop sobre nanossatélites

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AEB promove workshop sobre construção e aplicação de nanossatélites

Brasília 28 de Novembro de 2013 - A Agência Espacial Brasileira (AEB) realiza entre os dias 2 e 5 de dezembro em sua sede, em Brasília (DF), o 1º Workshop do Programa Sistema Espacial para Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites (Serpens).

O objetivo principal é qualificar engenheiros da instituição, estudantes, docentes e pesquisadores brasileiros vinculados aos cursos de Engenharia Aeroespacial para iniciar o desenvolvimento de satélites de pequeno porte e baixo custo.

Especialistas de instituições de ensino superior internacionais com destaque e renome na área de nanossatélite como a Universidade de Vigo (Espanha), California Polytechnic State University (EUA), Università di Roma Sapienza (Itália) e Morehead State University (EUA) participarão do processo de transferência de tecnologia trabalhando ao lado de profissionais e estudantes brasileiros.

Professores dos cursos de Engenharia Aeroespacial das universidades federais de Santa Catarina (UFSC), de Minas Gerais (UFMG), do ABC paulista (SP), de Brasília (UnB), do Instituto Federal Fluminense (IFF), dos Laboratórios de Sistemas Integráveis Tecnológicos (LSITC), entre outras entidades, receberão treinamentos para concepção e desenvolvimento de nanossatélite.

Além de compartilhar conhecimentos tecnológicos, o programa Serpens também objetiva despertar o interesse dos estudantes para este segmento de aplicação e incentivar as instituições nacionais a criarem seus próprios projetos. A AEB espera apoiar missões semelhantes projetadas por institutos de pesquisas e universidades.

A proposta da primeira missão do programa é testar tecnologias que poderão ser utilizadas no Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD).

O Serpens atende as prioridades do Programa Espacial Brasileiro de domínio de tecnologias críticas com participação da indústria, universidades e institutos de pesquisa para o setor espacial.

Fonte: AEB
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Entrevistas: José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB

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Dando continuidade a série de entrevistas do blog Panorama Espacial, hoje reproduzimos a entrevista feita com José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) desde maio de 2012.

Maranhense e graduado em Física pela Universidade de Brasília (UnB), Coelho teve passagens por várias funções ligadas ao Programa Espacial, como no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

A seguir, reproduzimos os principais trechos:

Continuidade da cooperação com a China

A entrevista foi iniciada com uma pergunta sobre as perspectivas para a continuidade da cooperação com a China no âmbito espacial, que poderia envolver a construção de um satélite meteorológico geoestacionário. José Raimundo frisou que as atenções da AEB neste momento estão concentradas na missão de lançamento do CBERS 3, quarto satélite da série, prevista para 9 de dezembro.

Na volta, “será o momento oportuno para falar sobre a cooperação com a China. Nós aprovamos uma agenda de cooperação na área espacial para os próximos dez anos, e em 2014, desenvolveremos os tópicos com estudos detalhados para verificar a viabilidade”. “Não está nada definido”, afirmou, destacando que a AEB ouvirá os segmentos interessados, nomeadamente o governo, a base industrial e os usuários sobre o plano decenal.

Interação entre o PNAE e o PESE

O tópico seguinte da conversa foi sobre a interação entre o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), iniciativa do Ministério da Defesa alinhada à Estratégia Nacional de Defesa.

“Hoje há uma consciência nacional de que um programa como esse [espacial] deve ser de Estado.” Segundo o dirigente, o Ministério da Defesa tem participado com a AEB nas discussões sobre atividades espaciais, que contam ainda com o envolvimento de outros ministérios. “A iniciativa pode vir de qualquer elemento do governo, não apenas da AEB.” “O PESE é uma grande novidade; tudo nele é inovador.”

“Não temos recursos para duplicações, e qualquer iniciativa de órgãos do governo e mesmo da iniciativa privada será bem vinda.”

Rearranjo institucional do Programa Espacial

No período em que o hoje ministro Marco Antonio Raupp esteve na presidência da AEB, houve esforços significativos visando a uma reorganização institucional do Programa Espacial, com discussões inclusive envolvendo a “fusão” da AEB com o INPE, algo que acabou não se concretizando. Questionamos o presidente se a ideia permanece, no que afirmou: “Ideias não morrem facilmente, elas permanecem por muito tempo.” “Temos apoio total do ministro”. 

Coelho explicou que ao longo de 2013, foi desenvolvida uma ação fruto de outro conceito, que é a integração entre as instituições do Programa Espacial. “Quando estivermos completamente integrados, com interesses mútuos e comuns, daí pode ser o momento de implementar ideias mais arrojadas”, disse. “No Brasil, nada é fácil.”

Política industrial

Tema sempre frequente no blog, pedimos a José Raimundo que apresentasse um panorama sobre a política industrial no setor espacial. “A palavra-chave na construção do novo plano industrial chama-se poder de contrato para as indústrias, e esse poder está a cargo do governo”, destacou.

Sobre a preocupação da indústria com a falta de futuras encomendas: “Realmente, esse momento é o momento em que estamos concluindo vários projetos e precisamos retomar outras iniciativas”, reconheceu, mencionando também cargas de trabalho que devem vir de missões previstas no PNAE e PESE.

O dirigente deu ênfase à criação da Visiona Tecnologia Espacial, que deverá atuar para consolidar a base industrial, como prime contractor, empresa integradora, “conceito usado por todos os países desenvolvidos”. Citou o caso da Espacial, empresa criada no início da década de 2000 com o objetivo atuar como integradora de projetos do PEB [Nota 1]. “[A Espacial] não foi feliz porque não havia a oportunidade certa. Agora, houve a oportunidade, que é o SGDC.” “Estamos vivendo um momento excepcional.” “Por enquanto, há apenas uma encomenda, mas progressivamente haverá outras.”

Questionado sobre se a consolidação da base industrial envolveria o estímulo do governo a fusões e aquisições entre as empresas, Coelho respondeu que não, completando: “mas se for necessário, por que não?” Apontou também a necessidade de que a indústria espacial brasileira busque diversificação com outras atividades para atingir um nível de sustentabilidade, citando o caso da indústria chinesa, que em alguns casos não depende apenas das encomendas governamentais.

Sobre encomendas industriais em curto prazo, mencionou o esforço da AEB junto à Agência Nacional de Águas (ANA), ligada ao Ministério do Meio Ambiente, para a construção de satélites de coletas de dados com seus próprios recursos. “No próximo ano isso deve estar na rua fazendo contratos industriais”, revelou. Também mencionou a expectativa com o projeto SABIA-Mar, em parceria com a Argentina.

Satélite geoestacionário e tecnologias chave

José Raimundo esclareceu que, no âmbito do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), cabe à AEB as definições quanto ao pacote de transferência de tecnologia, a ser feita à indústria. “Os recursos para essa ação, de transferência de tecnologia, são da AEB.” Foi esclarecido que a transferência não é fruto de uma cláusula de compensação (offset), mas sim uma operação paralela ao contrato de aquisição.

“A transferência de tecnologia e sua absorção será feita para a indústria, e vai acontecer pela identificação de quem vai transferir e quem vai receber.” “A empresa que vai receber tem que estar preocupada com o que vai fazer com isso [a tecnologia]”. O presidente informou que tem havido frequentes discussões entre a AEB e representantes da Thales Alenia Space, que fabricará o satélite, sobre o pacote de transferência tecnológica, a ser definido de um ponto de vista técnico. “O pacote deve ser definido em 4 ou 5 meses”.

Questionamos também quais tecnologias são hoje vistas como essenciais para o desenvolvimento de capacitação nacional, e Coelho destacou algumas: propulsão, imageadores em amplo espectro, tanto óticos como microondas, sistemas de controle, sensores e equipamentos de comunicações (transpônderes).

Alcântara Cyclone Space e lançadores

O último tópico abordado na entrevista tratou das iniciativas brasileiras no segmento de lançadores. Sobre a binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), projeto em conjunto com a Ucrânia, Coelho disse que a ACS complementa o programa brasileiro de lançadores. Questionado sobre o posicionamento comercial da binacional, o dirigente mencionou que nas previsões da AEB, o Cyclone 4 e os demais lançadores do Programa Espacial (VLS e VLM) seriam capazes de atender mais de 90% da demanda do mercado de lançamentos, em especial no segmento de satélites de menor porte.

Perguntamos sobre a possibilidade de estender a capacidade do lançador ucraniano, algo eventualmente citado pela ACS. “Ampliar a capacidade ainda está no campo das ideias”, ressaltando que é importante primeiramente consolidar uma etapa. A expectativa é que o primeiro voo do Cyclone 4 a partir de Alcântara ocorra em 2015.

A capacidade do Cyclone 4 de injeção múltipla de satélites de menor porte tem atraído interesse internacional, e José Raimundo citou o caso da constelação multinacional QB50, que será formada por 50 nanossatélites [Nota 2], que poderia voar a bordo do lançador da ACS.

Para 2014, Coelho destacou a expectativa quanto à retomada do VLS-1, com o voo de um quarto protótipo com experimentos em sistemas de controle, e ainda a continuidade do desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), em parceria com a agência espacial da Alemanha. Mencionou ainda que os projetos de lançadores nacionais poderão atender as missões brasileiras, não se descartando ainda a “integralização de mercado com os países vizinhos”.

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Nota 1: a Espacial S.A. foi criada em 2000 por doze empresas que já atuavam no setor espacial, especificamente no programa CBERS: Elebra, Fundação Atech, Mectron, Cenic, Compsis, Equatorial, Fibraforte, Avibras, Akaer, Neuron Eletrônica, Digicon e Aeroeletrônica. Leia aqui uma reportagem da época sobre sua criação.

Nota 2: o Brasil participa da missão multinacional QB50, de estudo da baixa atmosfera, com a construção de um nanossatélite, o 14-BISat, a cargo do Centro de Referência em Sistemas Embarcados e Aeroespaciais (CRSEA), do Instituto Federal Fluminense (IFF). Deverá também contribuir com uma rede de estações terrestres (veja a postagem "Projeto QB50 e satélite 14-BISat", de maio de 2013).
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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SGDC: assinado contrato entre Telebras e Visiona

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Assinado contrato do satélite que será utilizado pelo Ministério da Defesa

Brasília, 28/11/2013 - A Telebras e a Visiona Tecnologia Espacial -  joint-venture da Embraer e a Telebras - assinaram nesta quinta-feira (28) contrato para executar o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). O projeto envolve os Ministérios da Defesa, das Comunicações e da Ciência e Tecnologia. O SGDC será de propriedade do governo federal e operado pela Telebras, com bandas Ka (civil), e pelo MD, com a banda militar X.

De acordo com o subchefe de Comando e Controle do MD, brigadeiro Ricardo Pucci Magalhães, a banda X vai ampliar a capacidade das comunicações militares. “A banda X dará apoio às operações e exercícios militares, como a Ágata”, frisou. Ainda segundo o brigadeiro Magalhães, a parte militar do SGDC ajudará em catástrofes naturais e nos grandes eventos.

A banda X é composta por cinco transponders, suficientes para ampliar a largura de banda de 160 MHz, e o aumento de potência em cerca de dez vezes, em comparação ao satélite da “Star One”, atualmente alugado pelo MD. O SGDC ainda possibilitará ampliar o atendimento aos demais projetos da Defesa, principalmente, o Sisfron, de monitoramento das fronteiras terrestres. O projeto satelital prevê, ainda, o lançamento de mais dois satélites espaçados em mais ou menos cinco anos. O brigadeiro salienta que os terminais satelitais distribuídos pelo território nacional estarão sob a guarda de organizações militares.

O contrato, no valor de R$ 1,3 bilhão, assinado hoje pelo secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações e presidente do Conselho de Administração da Telebras, Maximiliano Martinhão; o presidente da Telebras, Caio Bonilha; e o presidente da Visiona, Nelson Salgado; e demais integrantes do Comitê Diretor do SGDC, prevê a entrega do satélite no final de 2016.

A empresa Visiona será responsável pela integração do sistema SGDC, que ampliará o acesso à banda larga nas regiões mais remotas do país, por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), e a soberania brasileira nas comunicações das Forças Armadas.

A construção do satélite brasileiro é estratégica para garantir a soberania das comunicações do governo brasileiro e também para assegurar o fornecimento de internet banda larga aos municípios distantes e isolados, onde não chega a rede terrestre de fibra óptica. Atualmente, existem mais de 2 mil municípios brasileiros com condições de difícil acesso para chegada de uma rede de fibra óptica terrestre.

A partir da formalização deste contrato, a Visiona fará a contratação dos fornecedores e dará início às atividades do desenvolvimento e integração do sistema.

Fonte: Ministério da Defesa.

Nota do blog: leiam também as notas do Ministério das Comunicações ("Telebras e Visiona formalizam acordo para satélite geoestacionário") e da Embraer, acionista controladora da Visiona ("Satélite geoestacionário vai garantir a segurança das comunicações brasileiras").
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